Dois sistemas de monitoramento contínuo de glicose (CGM) ganharam destaque entre as novidades apresentadas por fabricantes na EASD 2026, realizada em Milão: o CareSens Air 2, da i-SENS, e o S10, da Medtrum. Os anúncios mostram caminhos diferentes para tornar os sensores menores e ampliar a integração com aplicativos e, em um dos casos, com uma bomba de insulina. Apresentação em congresso, porém, não significa disponibilidade imediata no Brasil.
Quais sensores foram apresentados na EASD 2026?
CareSens Air 2: menor, mais leve e com uso prolongado
A i-SENS anunciou a apresentação do CareSens Air 2 na EASD 2026 e informou que planeja lançá-lo no início de 2027. Segundo a fabricante, a nova geração terá sensor menor e mais leve, período de uso ampliado e aplicativo redesenhado. Em uma apresentação corporativa anterior, a empresa indicou como metas técnicas até 18 dias de uso e aquecimento de 20 minutos. Esses números devem ser lidos como especificações divulgadas pela fabricante, não como resultado clínico independente nem como prazo ou configuração confirmados para o Brasil.
A i-SENS também apresentou a plataforma de dados Sens365. A demonstração de integração com Samsung Health mencionada em sua comunicação refere-se aos dados do CareSens Air; não é confirmação de que o Air 2 já tenha a mesma função, nem de compatibilidade com todos os relógios inteligentes.
Medtrum S10: sensor compacto ligado a um sistema de infusão
A Medtrum informou que exibiria o S10 no congresso. De acordo com o comunicado da própria empresa, o sensor tem cerca de 16 mm de diâmetro, pesa aproximadamente 1 g, oferece até 14 dias de uso e atualiza a leitura a cada dois minutos. Seu projeto prevê integração ao sistema TouchCare Nano, que inclui bomba de insulina sem tubo. Esses dados são declarações do fabricante sobre o produto; não demonstram superioridade clínica sobre sensores disponíveis no país.
O que realmente muda para quem usa sensor?
- Tamanho: os dois anúncios enfatizam dispositivos compactos. Mais conforto ou menos descolamentos são possibilidades de uso, não benefícios comprovados por esses anúncios.
- Duração: a i-SENS divulgou até 18 dias como meta para o Air 2; a Medtrum informou até 14 dias para o S10. Não há uma duração única para todos os “novos sensores”.
- Conectividade: os recursos dependem do modelo, aplicativo, celular compatível e versão comercial. Não se deve presumir transmissão por minuto ou integração com qualquer relógio.
- Decisão clínica: precisão, alertas, custo total, suporte e compatibilidade precisam ser avaliados no produto efetivamente disponível, junto com a equipe de saúde.
Quando os novos sensores chegam ao Brasil?
Até a publicação desta notícia, não encontramos anúncio oficial de data de lançamento ou preço brasileiro para esses modelos. A previsão global de início de 2027 divulgada pela i-SENS para o CareSens Air 2 não equivale a uma previsão para o Brasil. Também não é responsável converter comentários de estande em preço de varejo ou afirmar uma situação regulatória específica sem consultar o cadastro do produto.
Para verificar a situação de um dispositivo médico, a referência é a lista oficial de dispositivos médicos regularizados e a consulta pública da Anvisa, com nome comercial, fabricante e número do processo quando disponíveis. As exigências variam conforme o enquadramento sanitário; a apresentação em congresso não substitui a regularização aplicável nem confirma disponibilidade para venda.
O que fazer enquanto essas novidades não chegam?
Quem considera usar CGM hoje pode começar pelo guia sobre como funciona o sensor de glicose e, no caso do diabetes tipo 2, pela análise de quando o monitoramento contínuo pode fazer sentido. A escolha deve considerar necessidade clínica, dispositivos regularmente disponíveis, custo e suporte no Brasil.
O sensor mede glicose no líquido intersticial. Se sintomas e leitura não combinarem, ou se o fabricante orientar confirmação, a glicemia capilar pode ser necessária; confira também o papel das lancetas na medição capilar e as orientações sobre o que fazer diante de uma suspeita de hipoglicemia. Siga o plano individual combinado com sua equipe de saúde.
Perguntas frequentes
O CareSens Air 2 e o Medtrum S10 já têm preço no Brasil?
Não encontramos preço oficial brasileiro anunciado para nenhum dos dois modelos. Valores atribuídos a conversas em congressos não são uma tabela de venda.
Os dois sensores duram 18 dias?
Não. A i-SENS indicou até 18 dias como meta técnica para o CareSens Air 2; a Medtrum anunciou até 14 dias para o S10. A duração da versão vendida em cada mercado deve ser confirmada na documentação oficial do produto.
Os sensores apresentados já podem ser comprados no Brasil?
A apresentação internacional não comprova venda no Brasil. Antes de comprar, confirme a disponibilidade comercial e a regularização aplicável nas fontes oficiais da Anvisa.
O sensor elimina totalmente a medição na ponta do dedo?
Não necessariamente. Leituras incompatíveis com sintomas, dúvidas sobre o funcionamento ou instruções específicas do fabricante podem exigir confirmação capilar. Converse com a equipe de saúde sobre quando fazer essa checagem.
Nota editorial: as especificações acima foram divulgadas pelos fabricantes e podem mudar até o lançamento comercial. Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação médica individual. Não altere medicamentos ou doses de insulina por causa de um anúncio de tecnologia.



