A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomenda que pessoas com diabetes mantenham em dia as vacinas contra gripe, covid-19, pneumococo e hepatite B. A partir dos 50 anos, entra a vacina contra herpes-zóster e, a partir dos 60, a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR). Parte dessas vacinas está no SUS, e outras, por enquanto, só na rede privada ou em situações específicas. O primeiro passo é levar a sua caderneta à unidade de saúde ou à consulta e conferir o que está faltando.
Por que a vacinação é mais importante com diabetes
A diretriz de imunização da SBD descreve uma relação de mão dupla: o diabetes aumenta o risco e a gravidade das infecções, e as infecções pioram o controle da glicose. Em casos mais graves, isso pode levar a descompensações como a cetoacidose diabética e o estado hiperglicêmico hiperosmolar.
A diretriz reúne alguns dados que mostram o tamanho do problema:
- cerca de 1 em cada 4 óbitos por influenza no Brasil ocorreu em pessoas com diabetes;
- adultos com diabetes têm de 1,5 a 3 vezes mais risco de pneumonia pneumocócica;
- o risco de covid-19 grave também é de 1,5 a 3 vezes maior;
- o herpes-zóster é 20% a 30% mais frequente do que na população geral, com mais chance de dor persistente depois das lesões.
Quais vacinas são recomendadas
O quadro resume as recomendações da SBD para pessoas com diabetes. O esquema exato depende da idade, das vacinas que você já tomou e da disponibilidade no local.
| Vacina | Para quem | Esquema recomendado pela SBD |
|---|---|---|
| Gripe (influenza) | Todas as pessoas com diabetes a partir de 6 meses | Uma dose por ano, antes da temporada de gripe. Com 60 anos ou mais, de preferência a vacina de alta dose ou adjuvada, quando disponível |
| Covid-19 | Pessoas com diabetes a partir de 6 meses | Dose anual para os grupos indicados, que incluem pessoas com diabetes |
| Pneumocócica | Todas as idades a partir de 2 meses | A preferência é a VPC20 em dose única para quem não a tomou; as alternativas combinam outra conjugada com a VPP23 |
| Hepatite B | Todas as pessoas com diabetes, em qualquer idade | Três doses, para quem não completou o esquema |
| Herpes-zóster (vacina recombinante) | A partir de 50 anos; o cartão da SBD sugere considerar a partir de 18 anos, pelo risco maior no diabetes | Duas doses, com intervalo de 2 meses (a diretriz admite de 2 a 6 meses), mesmo para quem já teve zóster |
| Vírus sincicial respiratório (VSR) | A partir de 60 anos, ou a partir de 18 anos com fatores de risco, segundo o cartão da SBD | Dose única |
Além dessas, o cartão de vacinação da SBD lista as vacinas de rotina dos adultos, como a dupla adulto (difteria e tétano) com reforço a cada 10 anos.
No caso da hepatite B, a diretriz explica que o risco está ligado ao uso compartilhado de aparelhos de medir glicose e de materiais de aplicação de insulina, principalmente em serviços de saúde.
O que perguntar no SUS
A oferta pública muda com o tempo, por isso vale confirmar na sua unidade de saúde. O que as fontes consultadas mostram hoje:
- Gripe: a estratégia anual de vacinação do Ministério da Saúde inclui pessoas com doenças crônicas não transmissíveis entre os grupos prioritários, independentemente da idade.
- Covid-19: o Calendário Nacional de Vacinação de 2026 prevê uma dose anual para pessoas com comorbidades, com intervalo mínimo de 6 meses desde a última dose.
- Hepatite B: segundo o Ministério da Saúde, a vacina está disponível no SUS para todas as pessoas não vacinadas, independentemente da idade.
- Pneumocócica: segundo o cartão da SBD de maio de 2026, não está nas Unidades Básicas de Saúde. Nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), há VPC13 e VPP23 para quem tem indicação, geralmente com pedido médico. A VPC20, preferida pela SBD, e a VPC15 estão na rede privada.
- Herpes-zóster: não está no SUS. Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde decidiu não incorporar a vacina recombinante, e o cartão da SBD a indica apenas na rede privada.
- VSR: segundo o cartão da SBD, no SUS a vacina é oferecida a gestantes. Para adultos de 60 anos ou mais e pessoas com fatores de risco, está na rede privada.
Se você não sabe qual profissional acompanha a sua vacinação, veja qual médico cuida do diabetes.
Glicose alta atrapalha a vacina?
Pode reduzir a resposta. Segundo a SBD, o controle da glicose é o fator que mais interfere na resposta do corpo às vacinas em pessoas com diabetes. Com a glicose descontrolada, a resposta às vacinas de covid-19, gripe e hepatite B tende a ser menor. Mas isso não é motivo para esperar: mesmo com resposta reduzida, as vacinas protegem de forma importante contra doença grave, internação e morte. O caminho é vacinar e, ao mesmo tempo, cuidar do controle.
Quando adiar a vacina
A diretriz da SBD traz orientações gerais:
- resfriado ou diarreia leves não impedem a vacinação;
- com febre, a vacina deve esperar de 48 a 72 horas depois que a febre passar;
- em doenças moderadas ou graves, adia-se até a melhora;
- não é recomendado tomar antitérmico antes da vacina para prevenir reação; se houver sintomas depois, ele pode ser usado;
- quem tem alergias graves, usa corticoide em dose alta ou outros medicamentos que reduzem a imunidade deve conversar com o médico antes, porque algumas vacinas exigem avaliação específica.
Como organizar a sua vacinação
- Guarde a caderneta de vacinação, ou uma foto dela, junto dos seus exames.
- Leve a caderneta às consultas: a SBD recomenda que a revisão das vacinas faça parte da rotina de acompanhamento do diabetes, como os exames de olhos e de pés.
- Anote as datas de cada dose e o nome da vacina.
- A SBD disponibiliza gratuitamente um cartão de vacinação para pessoas com diabetes que ajuda a acompanhar as doses.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Imunização no diabetes. Diretriz da SBD.
- Sociedade Brasileira de Diabetes. Cartão de vacinação para pessoas com diabetes, 2026.
- Ministério da Saúde. Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026.
- Ministério da Saúde. Hepatite B.
- Agência Brasil. Ministério da Saúde decide não incorporar vacina herpes-zóster ao SUS, 13 de janeiro de 2026.
Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação do seu médico ou da equipe de vacinação. A indicação, o esquema e a disponibilidade de cada vacina devem ser confirmados no seu atendimento.



