Bomba de insulina, chamada nas diretrizes de sistema de infusão subcutânea contínua de insulina (SICI), é um aparelho que entrega insulina o dia todo pelo tecido sob a pele, em vez de várias aplicações com caneta ou seringa. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD, edição 2026) a recomenda como opção efetiva para o diabetes tipo 1 quando o controle adequado não é obtido com múltiplas aplicações diárias (R9, Classe I, Nível B) e cita crianças pequenas, que podem precisar de doses muito baixas, como um grupo em que ela pode ser a única opção viável. A mesma diretriz lembra que a bomba exige acompanhamento de equipe capacitada e cita um estudo de vida real em que múltiplas aplicações com sensor de glicose tiveram resultados semelhantes aos da bomba com sensor, com melhor custo-benefício. No SUS, a bomba não foi incorporada na decisão da Conitec de 2018, e não localizamos reavaliação. Este guia explica como ela funciona, quem a diretriz indica, os riscos e o que perguntar à equipe. Se a bomba serve para você é decisão da sua equipe de saúde.
Transparência: este artigo não tem links de afiliado, não indica marca nem cita preço. As informações vêm das fontes listadas no final.
Como a bomba de insulina funciona
Segundo a diretriz da SBD, a bomba imita a secreção natural de insulina com dois componentes, como na terapia com múltiplas aplicações: uma parte contínua, chamada basal, e uma parte para as refeições, chamada prandial. A insulina chega ao corpo por um conjunto de infusão, que tem uma cânula sob a pele e precisa ser trocado. O texto da diretriz sobre dias de doença descreve, por exemplo, a troca do conjunto de infusão e o teste de saída de insulina pela cânula.
Algumas bombas trabalham junto com um sensor de glicose. A diretriz de monitorização da SBD recomenda que sistemas automatizados de insulina usem um sensor de glicose em tempo real compatível com o dispositivo, para o sistema funcionar com segurança (R6, Classe I, Nível C). Para entender o sensor, veja o guia sobre sensor de glicose.
Quem a diretriz indica
Na diretriz da SBD sobre insulinoterapia no diabetes tipo 1, a recomendação R9 (Classe I, Nível B) diz que a bomba é uma opção terapêutica efetiva para obter controle glicêmico adequado quando isso não é possível com múltiplas aplicações de insulina. O texto acrescenta duas situações:
- Crianças pequenas: a bomba pode ser a única opção, porque a necessidade diária de insulina é muito baixa e doses inferiores a 0,5 unidade são inviáveis com aplicações. A diretriz cita que a SBD, a ADA (Associação Americana de Diabetes) e a ISPAD (sociedade internacional de diabetes pediátrico) recomendam a bomba como principal forma de tratamento nessa faixa.
- Doses muito reduzidas: por exemplo, na fase de “lua de mel” do diabetes tipo 1.
Uma recomendação da diretriz não é uma prescrição individual. Se você é candidato à bomba depende do seu controle, das hipoglicemias, da sua rotina e do acesso, e essa avaliação é da sua equipe. Para conhecer as metas que a equipe costuma acompanhar, veja tempo no alvo (TIR).
Bomba ou múltiplas aplicações: o que a SBD diz
A tabela reúne os pontos que a diretriz traz. Onde a diretriz não informa algo, isso está indicado.
| Ponto | O que a diretriz da SBD 2026 diz |
|---|---|
| Vantagens citadas | Menor variabilidade da glicose e menor incidência de hipoglicemia quando combinada com sensor de glicose. |
| Acompanhamento | Precisa de equipe capacitada. |
| Comparação com múltiplas aplicações | Em um estudo de vida real citado, múltiplas aplicações com sensor tiveram resultados semelhantes à bomba com sensor, com melhor relação de custo-benefício. |
| Sensor de glicose | O uso do sensor foi superior à glicemia capilar nos estudos citados. |
| Contraindicações e requisitos detalhados | Não constam no texto que consultamos. |
| Gravidez | Não consta no texto que consultamos. |
Isso não diz que a bomba é melhor ou pior que a caneta para todos. Diz que ela é uma opção indicada em situações definidas e que o sensor pesa muito no resultado. Para quem usa caneta, veja também o guia de agulha para caneta de insulina.
Riscos: falha de infusão e cetoacidose
A bomba entrega insulina de forma contínua, então uma interrupção, mesmo sem perceber, pode levar a hiperglicemia e cetoacidose. A diretriz da SBD sobre manejo dos dias de doença no diabetes tipo 1 alerta que interrupções involuntárias da bomba de infusão podem causar cetoacidose, mesmo em jejum. Alguns pontos das fontes:
- Cetonas: a diretriz de monitorização recomenda medir a cetonemia capilar (cetonas no sangue, com aparelho próprio) em quem usa sistemas de infusão de insulina, além de quem já teve cetoacidose e em dias de doença (R7, Classe I, Nível B). Como referência, ela traz que menos de 0,6 mmol/L é normal, entre 0,6 e 1,5 é discretamente aumentado e acima de 1,5 é alto.
- Hiperglicemia sem explicação: a diretriz sobre dias de doença descreve, para quem usa bomba e tem glicemia inexplicada acima de 250 mg/dL, um passo a passo que inclui checar cetonas e testar o conjunto de infusão. Os detalhes de correção e o plano de contingência devem ser combinados com a sua equipe, porque a diretriz não define, por exemplo, o uso de uma caneta de reserva.
- Urgência: a diretriz recomenda atendimento de urgência diante de vômitos persistentes, desidratação, alteração da consciência, cetonemia elevada e glicemias persistentemente elevadas (R3, Classe I, Nível C).

Para o outro lado da glicemia, veja hipoglicemia no diabetes: sintomas, o que fazer na hora e como prevenir.
Bomba de insulina no SUS
Nas fontes oficiais que consultamos, a bomba de insulina para diabetes tipo 1 não foi incorporada ao SUS. O relatório nº 375 da Conitec (comissão que avalia tecnologias para o SUS), de setembro de 2018, registra recomendação de não incorporar o sistema de infusão contínua para pessoas com diabetes tipo 1 que não atingiram o controle com múltiplas doses. Os motivos citados foram redução pequena da hemoglobina glicada (entre 0,18 e 0,55 ponto percentual), ausência de diferença significativa nos eventos de hipoglicemia, avaliação econômica inadequada, impacto orçamentário incerto e lacunas sobre eventos adversos e complicações tardias. A decisão foi formalizada pela Portaria SCTIE/MS nº 38, de 11 de setembro de 2018, e o protocolo clínico do diabetes tipo 1 (PCDT, 2020) repete que a bomba não foi incorporada.
Não localizamos, nas fontes oficiais consultadas em 29 de setembro de 2026, uma reavaliação posterior, mas isso não prova que ela não exista. Como a situação pode mudar, e regras locais podem ser diferentes das nacionais, confirme no site da Conitec e com o serviço de saúde que acompanha você. Para outros direitos ligados ao diabetes tipo 1, veja diabetes tipo 1 como pessoa com deficiência: direitos e a Lei 15.439.
Perguntas para levar à equipe
Estas perguntas são uma sugestão prática nossa, e não vêm das diretrizes:
- Meu controle atual, com caneta ou seringa, justifica avaliar a bomba? Um sensor de glicose sozinho já resolveria parte do problema?
- Quem vai me treinar e me acompanhar, e como falo com a equipe fora do horário de consulta?
- Qual é o plano se a bomba parar de funcionar ou se o conjunto de infusão entupir? Que material devo ter sempre comigo?
- Devo ter aparelho para medir cetonas em casa, e a partir de qual valor devo agir?
- Quais são todos os insumos que preciso repor, com que frequência e a que custo? Neste artigo não citamos preço, porque ele varia e muda.
- O modelo é compatível com um sensor de glicose? E o que acontece com a garantia e a assistência técnica?
Quando procurar atendimento
Quem usa bomba deve procurar a equipe de saúde se tiver hiperglicemia que não cede, alarmes frequentes, irritação ou infecção no local da cânula, ou dúvidas sobre o funcionamento do aparelho. Procure atendimento de urgência diante de vômitos persistentes, desidratação, alteração da consciência, cetonas elevadas ou glicemias persistentemente elevadas, que são os sinais da recomendação R3 da diretriz sobre dias de doença, e também na hipoglicemia grave, com confusão importante ou desmaio. Não espere a situação melhorar sozinha.
Perguntas frequentes
O que é a bomba de insulina?
É um aparelho que entrega insulina continuamente pelo tecido sob a pele, por um conjunto de infusão com cânula. Nas diretrizes, aparece como sistema de infusão subcutânea contínua de insulina (SICI).
Quem pode usar bomba de insulina?
A diretriz da SBD recomenda a bomba para o diabetes tipo 1 quando o controle não é obtido com múltiplas aplicações (R9, Classe I, Nível B) e cita crianças pequenas como grupo em que ela pode ser a única opção. Quem indica é a equipe de saúde.
A bomba de insulina é melhor que a caneta?
A diretriz cita vantagens, como menor variabilidade e menos hipoglicemia quando há sensor, e também um estudo em que caneta ou seringa com sensor teve resultados semelhantes, com melhor custo-benefício. A escolha depende de cada pessoa.
A bomba de insulina cura o diabetes?
Não. Ela é uma forma de entregar insulina e não trata a causa do diabetes tipo 1.
A bomba de insulina é gratuita no SUS?
Nas fontes oficiais que consultamos, a bomba não foi incorporada ao SUS (Conitec, 2018; protocolo do diabetes tipo 1, 2020). Não localizamos reavaliação até 29 de setembro de 2026, então confirme a situação atual com a Conitec e com o serviço que acompanha você.
Quanto custa uma bomba de insulina?
Não citamos preço, porque ele varia entre modelos e vendedores e muda. Peça à equipe e ao fabricante ou representante o valor do aparelho e de todos os insumos de reposição.
O que acontece se a bomba parar de funcionar?
A insulina deixa de ser entregue, o que pode levar a hiperglicemia e cetoacidose, mesmo em jejum. Combine com a sua equipe um plano de contingência e saiba quando medir cetonas e quando procurar urgência.
Fontes e critérios da análise
Este artigo é educativo e não substitui a avaliação da sua equipe de saúde, principalmente para quem tem diabetes tipo 1 e usa insulina. As afirmações vêm das fontes abaixo. Os textos foram lidos em 29/09/2026 por resumo automático das páginas, e os números de recomendação, classe e nível foram conferidos nesses resumos. As medidas práticas estão marcadas como tais no texto. Nenhum produto foi testado.
- Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Insulinoterapia no DM1, Diretriz da SBD, edição 2026: recomendação R9, indicações, vantagens e limitações da bomba.
- SBD. Monitorização da glicemia capilar, da glicose intersticial (CGM) e cetonemia capilar, Diretriz da SBD, edição 2026: R6, R7 e valores de referência de cetonemia.
- SBD. Manejo dos dias de doença no DM1, Diretriz da SBD, edição 2026: interrupção da bomba, fluxo de hiperglicemia inexplicada e R3 (urgência).
- Conitec. Relatório nº 375: Bomba de infusão de insulina como adjuvante no tratamento de segunda linha do diabetes mellitus tipo 1 (setembro de 2018).
- Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Diabete Melito Tipo 1 (2020): registra a não incorporação da bomba e cita a Portaria SCTIE/MS nº 38/2018.



