Hipoglicemia no diabetes: sintomas, o que fazer na hora e como prevenir

Ilustração de uma gota com um medidor apontando para baixo e uma seta vermelha de queda ao lado, uma colher com gotas de mel e um relógio analógico ao fundo, representando a queda da glicose, o tratamento com açúcar e o tempo de espera da regra dos 15.

Hipoglicemia é a queda da glicose no sangue abaixo de 70 mg/dL, e quem toma insulina ou alguns remédios orais para diabetes precisa saber reconhecer os sinais e agir rápido — a maioria dos episódios se resolve em poucos minutos com a conduta certa. Este guia explica o que é, como identificar cada nível de gravidade, o que fazer na hora seguindo a regra dos 15, quando procurar emergência e como reduzir a chance de passar por isso de novo.

O que é hipoglicemia

Hipoglicemia é uma complicação aguda do diabetes: a glicose no sangue cai abaixo de 70 mg/dL, o que exige tratamento imediato. Ela pode acontecer com qualquer pessoa que usa insulina ou certos remédios orais, mesmo com o diabetes bem controlado — atraso de refeição, exercício não planejado, dose maior que o necessário ou álcool sem comida são gatilhos comuns.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a hipoglicemia é classificada em três níveis, do mais leve ao mais grave, o que ajuda a decidir a conduta em cada situação (ver quadro abaixo).

Sintomas: leves, moderados e graves

Nos episódios leves e moderados, o corpo costuma avisar antes: suor frio, tremor, coração acelerado, fome repentina, irritabilidade, palidez, dor de cabeça e visão turva são os sinais mais comuns. Já nos episódios graves, pode haver confusão mental, dificuldade para falar ou se mexer, perda de consciência ou convulsão — nesse ponto, a pessoa geralmente já não consegue se tratar sozinha e precisa de ajuda de outra pessoa.

Em crianças pequenas e idosos, os sintomas podem ser mais discretos ou passar despercebidos, o que reforça a importância de medir a glicose sempre que houver dúvida, em vez de esperar só pelos sintomas.

Quadro por nível: glicose, sintomas e conduta

Este quadro resume os três níveis de hipoglicemia definidos pela SBD, para facilitar a decisão rápida na hora do episódio.

Nível Glicose no sangue Sintomas típicos Conduta
Nível 1 Entre 70 e 54 mg/dL Clinicamente relevante mesmo sem sintomas evidentes; pode haver tremor, suor e fome 15 g de carboidrato rápido, aguardar 15 minutos e reavaliar (regra dos 15)
Nível 2 Abaixo de 54 mg/dL Sintomas neuroglicopênicos começam a aparecer: confusão, dificuldade de concentração, visão turva 30 g de carboidrato rápido, segundo o documento de Enfermagem da SBD (veja a nota abaixo), aguardar 15 minutos e reavaliar
Nível 3 Variável Alteração mental ou física grave (confusão importante, convulsão, perda de consciência) Emergência: ligue 192, aplique glucagon se disponível e não ofereça nada por via oral se a pessoa estiver convulsionando

Nota: para o nível 2, os textos da SBD não são iguais. Veja o parágrafo sobre o nível 2 na seção “O que fazer na hora: a regra dos 15”.

O que fazer na hora: a regra dos 15

Para hipoglicemia leve a moderada (nível 1), em que a pessoa está consciente e consegue engolir com segurança, a SBD orienta seguir estes passos:

  1. Meça a glicose, se tiver como, para confirmar a hipoglicemia.
  2. Consuma 15 g de carboidrato de absorção rápida. As opções mais precisas são uma colher de sopa de açúcar dissolvida em meio copo de água, um sachê de glicose instantânea ou um copo de suco integral de laranja; se preferir usar balas moles ou mel, calcule por peso ou pela embalagem sempre que possível, já que “3 balas moles” ou “uma colher de mel” variam de tamanho conforme a marca e a colher usada. Prefira carboidrato isolado, sem fibra, gordura ou proteína junto, porque isso deixa a absorção mais lenta.
  3. Aguarde 15 minutos.
  4. Meça a glicose de novo. Se ainda estiver baixa, repita o mesmo processo.
  5. Assim que a glicose normalizar, faça uma refeição ou lanche dentro de 1 hora, para evitar uma nova queda — diferente da correção inicial, essa refeição deve combinar fibra (verdura, feijão ou outro alimento integral), proteína (ovo, queijo, carne ou leite) e gordura (azeite ou castanhas), o que ajuda a manter a glicose estável depois.

Se a glicose estiver abaixo de 54 mg/dL (nível 2), a orientação do documento técnico do Departamento de Enfermagem da SBD é dobrar a quantidade inicial — 30 g de carboidrato rápido (por exemplo, duas colheres de sopa de açúcar em água, dois sachês de glicose instantânea ou dois copos de suco integral de laranja, com as mesmas ressalvas de imprecisão para balas ou mel) — e seguir o mesmo ciclo de esperar 15 minutos e reavaliar. Se a hipoglicemia persistir depois de repetir esse ciclo, procure atendimento médico em vez de repetir indefinidamente por conta própria. Os textos da SBD divergem neste ponto: o texto da SBD para o público indica 15 g de carboidrato em qualquer nível. Se a sua equipe já combinou uma quantidade com você, siga a dela. Em qualquer caso, aguarde 15 minutos, meça de novo e, se não melhorar, procure atendimento.

Hipoglicemia grave: convulsão ou perda de consciência

Se a pessoa estiver convulsionando, não coloque nada na boca dela em hipótese alguma — nem líquido, nem açúcar, nem qualquer objeto — e não tente segurá-la à força; apenas afaste objetos que possam machucá-la e proteja a cabeça até a convulsão passar. Se ela estiver muito confusa, sonolenta demais ou inconsciente, mas sem convulsionar, também não tente dar comida ou líquido por via oral — em ambos os casos existe risco real de engasgo e de o alimento ir para o pulmão (aspiração).

Nessas situações:

  • Chame o serviço de emergência (192, no Brasil) imediatamente — não espere para ver se a pessoa melhora sozinha.
  • Posicione a pessoa de lado, de forma confortável, com a cabeça lateralizada, para proteger as vias aéreas.
  • Se houver glucagon disponível e você souber aplicar, a orientação do Departamento de Enfermagem da SBD é administrá-lo por via intramuscular ou subcutânea, conforme orientação médica prévia, enquanto a ajuda chega, e a ANAD o coloca como prioridade em pessoa inconsciente. Veja a seção sobre glucagon mais abaixo.
  • Sem glucagon disponível, e só se a pessoa estiver inconsciente sem convulsionar (nunca durante uma convulsão), uma medida de suporte descrita no documento técnico do Departamento de Enfermagem da SBD, que pede cautela, é esfregar, com muito cuidado, 15 a 30 g de açúcar ou mel na parte interna da bochecha, sem forçar a deglutição — isso não substitui chamar a emergência nem o glucagon, é apenas uma medida enquanto a ajuda não chega.

Glucagon: o que é, para quem e quem pode aplicar

Em termos gerais, o glucagon é um hormônio que faz o fígado liberar glicose no sangue. Na hipoglicemia grave, quando a pessoa não consegue engolir com segurança, ele é uma forma de tratar sem depender da boca. Este artigo não traz doses: elas estão na bula do produto e na prescrição da sua equipe de saúde.

  • Para quem: segundo a SBD, o glucagon pode ser prescrito para hipoglicemia de nível 2 ou 3, e é recomendado prescrevê-lo para o nível 3. Quem decide é o seu médico.
  • Quem pode aplicar: a SBD orienta que as pessoas que convivem com quem tem diabetes sejam ensinadas a aplicá-lo, e diz que a aplicação não precisa se limitar a profissionais de saúde. A bula de um glucagon injetável registrado no Brasil também orienta treinar família, colegas e amigos próximos.
  • Como é aplicado: por injeção, no músculo (intramuscular) ou sob a pele (subcutânea), conforme a SBD e a bula.
  • Depois da aplicação: a bula orienta virar a pessoa de lado para evitar sufocamento, oferecer alimento açucarado quando ela recuperar a consciência e procurar ajuda médica se ela não responder em 10 minutos. Continue com o passo de chamar a emergência (192).
  • Cuidados com o produto: a bula pede guardar na geladeira (2 a 8 °C), na embalagem original e sem congelar, e usar o produto logo depois de preparado. Ela traz como contraindicações a alergia ao glucagon ou a componentes do produto e o feocromocitoma, e cita náusea como efeito comum. Confira sempre a validade e leia a bula do produto que você tiver.

Se você ou alguém da sua casa usa insulina, vale perguntar à equipe se faz sentido ter glucagon. Estas perguntas são uma sugestão prática nossa, e não vêm das fontes:

  1. Devo ter glucagon em casa? Como consigo a prescrição?
  2. Quem convive comigo precisa ser treinado? Dá para treinar junto na consulta?
  3. Onde guardar, como conferir a validade e quando trocar?
  4. Em quais situações devo usar e o que fazer logo depois?

Diabetes tipo 2 e remédios orais que causam hipoglicemia

Muita gente com diabetes tipo 2 pensa que hipoglicemia é “coisa de quem usa insulina”, mas isso não é verdade. As sulfonilureias — classe de remédios orais que inclui a glibenclamida e a glimepirida, entre outras — estão associadas a um risco maior de hipoglicemia, segundo a SBD, e esse risco existe mesmo sem uso de insulina.

Se você usa algum remédio dessa classe, vale a pena perguntar diretamente ao seu médico ou farmacêutico se o seu medicamento tem esse risco, e revisar com ele os sinais de alerta e a regra dos 15 descrita acima. Metformina isolada, por outro lado, não costuma causar hipoglicemia por conta própria — o risco aumenta quando ela é combinada com sulfonilureia ou insulina.

Como prevenir novos episódios

  • Não pule refeições nem atrase muito o horário de comer, principalmente se você usa insulina ou sulfonilureia.
  • Meça a glicose antes, durante e depois de atividade física, e ajuste a alimentação ou a dose com orientação médica em dias de exercício mais intenso ou fora da rotina.
  • Evite bebida alcoólica, principalmente em jejum — o álcool pode mascarar os sintomas e aumentar o risco de hipoglicemia, inclusive várias horas depois. Se beber, monitore a glicose durante e depois, e coma uma fonte de carboidrato antes de dormir. Vale lembrar que cerveja e alguns licores têm carboidrato e podem elevar a glicose no início, então a correção de uma hipoglicemia nesse contexto deve ser feita com cautela.
  • Sempre carregue uma fonte rápida de açúcar (balas, sachê de mel) na bolsa, no carro ou no local de trabalho.
  • Se os episódios forem frequentes, não ajuste a dose do remédio por conta própria — converse com o médico, porque pode ser hora de rever o esquema de tratamento.
  • Considere uma identificação médica (pulseira, cartão ou aplicativo) informando que você tem diabetes, para o caso de um episódio grave longe de casa.

Quando procurar atendimento de emergência

Procure atendimento de emergência sem demora quando:

  • A pessoa perder a consciência ou tiver uma convulsão — nesse caso, ligue para a emergência imediatamente, com ou sem glucagon disponível.
  • A pessoa estiver muito confusa ou sonolenta demais para engolir com segurança, mesmo sem convulsionar.
  • A hipoglicemia tiver sido causada por dose alta demais de insulina administrada.
  • Os episódios forem recorrentes e persistentes, mesmo seguindo a regra dos 15 corretamente.

Este artigo é educativo e não substitui a avaliação do seu médico, principalmente para ajustar dose de insulina ou de remédios orais, ou para investigar a causa de episódios repetidos de hipoglicemia.

Fontes

Os textos das fontes acrescentadas em 30/09/2026 foram lidos por resumo automático. Nenhum produto foi testado, e não indicamos marca nem preço.

3 comentários em “Hipoglicemia no diabetes: sintomas, o que fazer na hora e como prevenir”

  1. Pingback: Diabetes causa dor de cabeça? Quando a glicose entra

  2. Pingback: Diabetes e sono: dormir mal pode alterar a glicose?

  3. Pingback: Diabetes causa suor? Quando o suor pede atenção

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para colocar em prática

Ferramentas úteis para organizar sua rotina

Veja balanças de cozinha, glicosímetros, tiras compatíveis e utensílios mencionados nos conteúdos do EDU Diabetes.

Ver ferramentas úteis

Alguns links da página são de afiliado e podem gerar comissão para o EDU Diabetes, sem custo adicional para você.

Rolar para cima