A relação albumina/creatinina urinária, também chamada RAC ou uACR, ajuda a avaliar a presença de albumina na urina. O resultado complementa a avaliação da filtração dos rins: são informações diferentes, e uma não substitui a outra.
Antes de comparar seu número com uma faixa encontrada na internet, confira a unidade, o nome do exame e os resultados anteriores. Uma alteração isolada não confirma doença renal crônica.
Como entender a relação albumina/creatinina em mg/g?
A albumina é uma proteína do sangue. Sua passagem aumentada para a urina pode sinalizar alteração renal, inclusive quando a filtração estimada ainda está preservada. No exame de RAC, o laboratório relaciona a albumina à creatinina da mesma amostra urinária, reduzindo a influência de a urina estar mais concentrada ou diluída.
A referência educativa da National Kidney Foundation apresenta as seguintes faixas para adultos, em miligramas de albumina por grama de creatinina (mg/g). Elas ajudam a organizar a conversa, mas não determinam tratamento ou diagnóstico por conta própria.
| Resultado | Como contextualizar |
|---|---|
| Abaixo de 30 mg/g | Faixa habitualmente considerada normal ou pouco aumentada; não exclui toda doença renal. |
| De 30 a menos de 300 mg/g | Albuminúria aumentada que precisa de avaliação e, conforme o caso, confirmação. |
| 300 mg/g ou mais | Elevação mais acentuada, que merece avaliação clínica; o número sozinho não define diálise nem a causa. |
Não use essa tabela diretamente para um valor em mg/L, mg/mmol ou para a albumina medida em urina de 24 horas. São formas diferentes de apresentar o exame. Se o laudo trouxer albumina e creatinina separadamente, procure o campo da relação calculada e peça ajuda ao serviço quando houver dúvida.
Por que um resultado alterado pode precisar ser repetido?
A quantidade de albumina na urina varia. Exercício intenso recente, febre, infecção urinária, sangramento urinário ou menstrual e grandes mudanças da glicose ou da pressão podem interferir. Isso não permite descartar automaticamente a alteração como “erro de coleta”. Informe essas circunstâncias à equipe.
A KDIGO 2024 orienta confirmar uma RAC de pelo menos 30 mg/g encontrada em amostra aleatória com uma amostra subsequente da primeira urina da manhã. Quem solicita o exame define o momento e o protocolo adequado. Para a parte prática, veja como conferir a coleta de microalbuminúria e siga a instrução do laboratório.
A persistência ao longo do tempo participa da avaliação de doença renal crônica. O período de três meses usado nessa definição não é uma orientação para esperar três meses antes de procurar atendimento por um resultado novo ou alterado.
O que fazer com o laudo em mãos?
- Leve a RAC completa, com unidade e data, junto dos exames anteriores.
- Confira com a equipe também a creatinina e a filtração glomerular estimada no sangue.
- Relate sintomas, infecções recentes, atividade física intensa e todos os medicamentos em uso.
- Pergunte se é necessário confirmar a alteração e quando será a reavaliação.
Para entender o exame complementar, leia o que significa uma filtração glomerular baixa. Não suspenda remédios, aumente a água à força nem restrinja proteínas por conta própria para tentar mudar a RAC.
Conteúdo educativo para adultos; não interpreta um caso individual. Tiras genéricas para proteína na urina não devem ser tratadas como equivalentes à RAC quantitativa do laboratório.
Fontes
- National Kidney Foundation — relação albumina/creatinina urinária, atualização de maio de 2023: faixas, variabilidade e confirmação.
- NIDDK — albuminúria, revisão de outubro de 2016, complementada pela diretriz atual abaixo.
- KDIGO 2024 — avaliação da doença renal crônica, pontos de prática 1.3.1.2 e 1.1.3.2.




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