Diabetes tipo 5 existe? O que mudou na classificação ligada à desnutrição

Profissional de saúde conversa com adulto jovem sobre diferentes tipos de diabetes

Resposta direta: diabetes tipo 5 é o nome adotado pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) para uma forma de diabetes associada à desnutrição crônica, especialmente quando ela ocorreu na infância, adolescência ou começo da vida adulta. A proposta ganhou reconhecimento internacional em 2025, mas critérios diagnósticos e orientações terapêuticas ainda estão sendo desenvolvidos.

Isso significa que o termo existe no debate científico atual, mas não deve ser usado para alguém se diagnosticar por ser magro, ter perdido peso ou ter vivido insegurança alimentar. Diabetes tipo 1, tipo 2, diabetes pancreático, formas genéticas e outras condições podem aparecer em pessoas com baixo peso. A classificação depende de avaliação clínica e da exclusão cuidadosa de diagnósticos diferentes.

O que é diabetes tipo 5?

O termo descreve um quadro também chamado de diabetes relacionado à desnutrição. Ele foi proposto para pessoas que apresentam deficiência importante na produção de insulina e um histórico compatível com subnutrição prolongada, geralmente em países de baixa e média renda.

A IDF explica que o quadro costuma ser observado em pessoas jovens e magras, mas essas duas características não bastam para reconhecê-lo. O contexto nutricional ao longo da vida, o funcionamento do pâncreas, a presença ou ausência de autoanticorpos e a possibilidade de outras formas de diabetes precisam ser considerados.

Não é simplesmente “diabetes em pessoa magra”

Pessoas magras podem desenvolver diabetes tipo 1, tipo 2, LADA, diabetes monogênico ou diabetes secundário a doenças do pâncreas. Também podem emagrecer depois que a glicose já está muito alta. Por isso, baixo peso não revela sozinho a causa do diabetes.

O número 5 não indica gravidade ou estágio

“Tipo 5” é uma proposta de classificação. Não significa quinta fase, glicose cinco vezes mais alta, maior gravidade ou uma sequência obrigatória depois dos tipos 1 e 2. Também não é um código que deva ser interpretado isoladamente em laudo ou prontuário.

O que mudou na classificação em 2025?

Em abril de 2025, a IDF anunciou um grupo de trabalho dedicado ao diabetes tipo 5. A iniciativa veio depois de uma reunião internacional de especialistas em Vellore, na Índia, e do debate apresentado no Congresso Mundial de Diabetes da IDF, em Bangkok.

O grupo foi criado para desenvolver critérios diagnósticos formais, orientações de tratamento, um registro global de pesquisa e materiais educativos. Isso é importante porque muitos casos podem ter sido classificados como tipo 1 ou tipo 2 mesmo quando o perfil metabólico não correspondia bem a nenhum dos dois.

A história começou muito antes

Relatos de diabetes em pessoas jovens, magras e com histórico de desnutrição existem há décadas. A Organização Mundial da Saúde reconheceu uma categoria relacionada à desnutrição em 1985, mas a retirou da classificação em 1999 por falta de evidência suficiente para afirmar que a desnutrição, por si só, causava o quadro.

A Classificação Internacional de Doenças em sua 11ª revisão mantém a categoria “diabetes mellitus relacionado à desnutrição”, identificada como 5A12. Isso não elimina a discussão científica sobre o nome “tipo 5”, seus limites ou a forma de aplicar a classificação na prática.

Por que ainda existe debate sobre diabetes tipo 5?

Um consenso internacional publicado em 2025 defendeu que existe um fenótipo distinto, marcado por prejuízo importante na secreção de insulina, sensibilidade à insulina relativamente preservada, ausência de autoanticorpos das ilhotas e menor tendência à cetoacidose do que se esperaria no diabetes tipo 1.

Outros pesquisadores alertaram que as evidências ainda são limitadas. Entre as questões levantadas estão amostras pequenas, dificuldade de reconstruir a história nutricional, sobreposição com outras formas de diabetes e o risco de usar apenas o índice de massa corporal como substituto de uma avaliação nutricional completa.

O que é consenso e o que continua incerto?

  • Bem sustentado: existem pessoas com baixo peso e diabetes que apresentam um perfil metabólico diferente dos modelos clássicos de tipo 1 e tipo 2.
  • Em desenvolvimento: critérios universais para confirmar diabetes tipo 5.
  • Ainda investigado: mecanismos exatos que ligam subnutrição durante o desenvolvimento à capacidade futura de produzir insulina.
  • Sem regra única: qual tratamento funciona melhor para todos os perfis incluídos nessa classificação.

Um artigo responsável precisa mostrar os dois lados: a IDF reconheceu e organiza a nova classificação, enquanto a comunidade científica continua discutindo critérios, causalidade e aplicação clínica.

Diabetes tipo 5 é diferente dos tipos 1 e 2?

No diabetes tipo 1, o sistema imunológico destrói células produtoras de insulina. No tipo 2, a resistência à ação da insulina costuma ter papel importante, embora a produção de insulina também possa diminuir com o tempo. No diabetes tipo 5, a proposta atual destaca uma deficiência de secreção de insulina relacionada a um histórico de subnutrição, sem o padrão autoimune do tipo 1 e sem a resistência à insulina típica de muitos casos de tipo 2.

Essas descrições ajudam a entender diferenças gerais, mas não permitem diagnóstico por comparação em casa. Uma mesma pessoa pode ter características que se sobrepõem, e os exames precisam ser interpretados no contexto clínico.

Tipo 5 também não é o mesmo que diabetes tipo 3c

O diabetes tipo 3c está relacionado a doenças que lesionam o pâncreas exócrino, como pancreatite crônica, cirurgia pancreática ou outras alterações específicas. A investigação pode incluir história clínica, exames de imagem e sinais de insuficiência pancreática. Confundir essas condições pode levar a uma orientação inadequada.

Para entender como códigos clínicos descrevem formas já conhecidas, veja também o conteúdo sobre CID E10 e diabetes tipo 1 e o artigo sobre CID E11 e diabetes tipo 2.

Qual perfil foi descrito nos estudos?

Os trabalhos que motivaram a nova classificação observaram principalmente pessoas de países de baixa e média renda, com diabetes diagnosticado em idade jovem, baixo índice de massa corporal e histórico de desnutrição. Estudos metabólicos encontraram secreção de insulina mais comprometida do que no tipo 2, mas sem a resistência à insulina esperada em muitos casos desse tipo.

A IDF estima que milhões de pessoas possam viver com esse quadro, sobretudo em partes da Ásia e da África. Essa estimativa não significa que toda pessoa com diabetes e baixo peso pertença ao grupo, nem permite calcular automaticamente quantos casos existem no Brasil.

Perda de peso recente é outra situação

Emagrecimento sem explicação pode ocorrer quando o diabetes está descompensado, mas também tem diversas outras causas. Ele não prova que houve desnutrição durante o desenvolvimento e não identifica diabetes tipo 5. Se a perda for rápida, progressiva ou acompanhada de muita sede, urina frequente, fraqueza, náusea ou alteração de consciência, a avaliação não deve ser adiada.

Como o diagnóstico de diabetes tipo 5 é investigado?

Não existe um teste doméstico exclusivo para diabetes tipo 5. Glicemia e hemoglobina glicada podem identificar hiperglicemia, mas não revelam sozinhas qual tipo de diabetes está presente. A investigação pode considerar idade de início, evolução do peso, história nutricional, uso de medicamentos, antecedentes familiares e sinais de doença pancreática.

Conforme o caso, a equipe pode avaliar produção de insulina por meio de peptídeo C, pesquisar autoanticorpos relacionados ao diabetes tipo 1 e investigar causas genéticas ou pancreáticas. A escolha e a interpretação desses exames pertencem ao profissional responsável; não existe uma lista universal que sirva para qualquer pessoa.

Sintomas não distinguem o tipo

Sede intensa, urina frequente, cansaço, visão embaçada, fome persistente e perda de peso podem aparecer em diferentes formas de diabetes. O artigo sobre primeiros sintomas do diabetes explica por que sinais precisam ser confirmados com avaliação e exames. Para a fome persistente, veja também a explicação sobre polifagia e quando investigar.

O que já se sabe sobre tratamento?

As orientações específicas ainda estão em construção. A própria criação do grupo de trabalho da IDF mostra que faltam diretrizes universais. O tratamento precisa levar em conta a intensidade da deficiência de insulina, o estado nutricional, o risco de hipoglicemia, as condições associadas e os recursos disponíveis.

Não é seguro concluir que toda pessoa com diabetes tipo 5 deve usar ou evitar insulina. Também não é adequado copiar dieta, dose ou medicamento descrito em notícia ou artigo. Em alguém com baixo peso ou histórico de desnutrição, restrições alimentares generalizadas podem agravar deficiências nutricionais.

Nutrição não significa apenas “comer mais”

Reabilitação nutricional, quando necessária, deve ser individualizada. Energia, proteínas, vitaminas, minerais, condições gastrointestinais e risco de realimentação podem precisar de avaliação. O objetivo não é aplicar uma dieta popular para diabetes, mas recuperar e sustentar o estado nutricional sem abandonar o acompanhamento da glicose.

O que essa discussão muda para quem vive no Brasil?

Para a maioria das pessoas acompanhadas por diabetes tipo 1 ou tipo 2, uma notícia sobre tipo 5 não muda automaticamente o diagnóstico ou o tratamento. O principal ganho é reconhecer que “diabetes” não é uma doença única e que pessoas magras ou com histórico de vulnerabilidade nutricional merecem avaliação sem estereótipos.

Se o diagnóstico não combina com a evolução clínica, se existe baixo peso persistente desde a juventude ou se o controle continua difícil apesar do acompanhamento, vale levar a dúvida ao endocrinologista. Isso não significa pedir para trocar o diagnóstico, e sim revisar a história e verificar se outra classificação precisa ser considerada.

Vídeo complementar: diferenças entre diabetes tipo 1 e tipo 2

O vídeo abaixo, do canal EDU Diabetes, foi publicado antes do reconhecimento recente do termo diabetes tipo 5 e não apresenta essa nova classificação. Ele é incluído apenas como complemento para entender diferenças gerais entre os tipos 1 e 2, que são parte da avaliação diferencial.

Perguntas frequentes sobre diabetes tipo 5

Diabetes tipo 5 já é reconhecido oficialmente?

A IDF adotou a classificação e criou um grupo de trabalho em 2025. A CID-11 da OMS contém a categoria de diabetes relacionado à desnutrição. Critérios diagnósticos e diretrizes específicas, porém, continuam em desenvolvimento.

Uma pessoa magra pode ter diabetes tipo 2?

Sim. Peso corporal não define sozinho o tipo de diabetes. Pessoas magras também podem ter tipo 2, tipo 1, LADA, formas genéticas, pancreáticas ou outras condições.

Desnutrição sempre causa diabetes tipo 5?

Não. A relação causal e os limites da categoria ainda são discutidos. Ter vivido desnutrição não significa desenvolver diabetes, e ter diabetes com baixo peso não confirma o tipo 5.

Existe exame específico para diabetes tipo 5?

Ainda não existe um único exame que confirme o quadro. A investigação combina história clínica, avaliação nutricional e testes usados para diferenciar outras formas de diabetes.

Diabetes tipo 5 tem cura?

Não há base para prometer cura. A classificação é recente e o manejo ainda está sendo estudado. O acompanhamento busca controlar a glicose, corrigir problemas nutricionais e reduzir riscos conforme cada caso.

Quem já tem diagnóstico deve mudar o tratamento?

Não por conta própria. Uma notícia ou artigo não substitui a revisão clínica. Qualquer dúvida sobre classificação, alimentação ou medicamento deve ser levada à equipe que conhece o histórico.

Resumo prático

  • Diabetes tipo 5 é o nome adotado pela IDF para diabetes relacionado à desnutrição.
  • A classificação ganhou força em 2025, mas critérios e diretrizes ainda estão sendo desenvolvidos.
  • Ser magro, perder peso ou ter vivido insegurança alimentar não confirma o diagnóstico.
  • O quadro precisa ser diferenciado de diabetes tipo 1, tipo 2, LADA, formas genéticas e doenças pancreáticas.
  • Não altere alimentação, insulina ou medicamentos com base apenas nessa classificação emergente.

Fontes consultadas

Autor: Edu Rodrigues — EDU Diabetes
Atualizado em: 27 de agosto de 2026
Revisão editorial: EDU Diabetes, com conferência de linguagem educativa, intenção de busca e fontes institucionais.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica, nutricional, prescrição ou tratamento individualizado. Não altere medicamentos por conta própria.

1 comentário em “Diabetes tipo 5 existe? O que mudou na classificação ligada à desnutrição”

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