Ferida no pé com diabetes que não cicatriza: o que fazer e quando procurar ajuda

Arte editorial: ferida no pé que não cicatriza, o que fazer e quando procurar ajuda

Ferida no pé de quem tem diabetes não deve esperar a próxima consulta: ao notar uma bolha, ferida, úlcera ou calo com sinal de infecção, procure o seu médico de referência ou um podólogo logo, sem esperar que ela “se resolva sozinha”. Esta é a orientação do CDC dos Estados Unidos, e as fontes consultadas não definem um prazo em dias para esperar. Este texto explica por que essas feridas cicatrizam devagar, o que fazer e evitar em casa e quais sinais pedem pressa.

Por que a ferida no pé com diabetes pode demorar a cicatrizar

Segundo o CDC, a neuropatia (lesão dos nervos) reduz a dor, e por isso cortes e feridas podem passar despercebidos. Circulação ruim, tabagismo e infecção dificultam a cicatrização. A diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) sobre infecção no pé acrescenta que a falta de irrigação do sangue (isquemia, ligada à doença arterial periférica) piora o prognóstico e aumenta muito a chance de a ferida não cicatrizar, e que a glicemia alta reduz a resposta do organismo às infecções. Segundo a mesma diretriz, cerca de 50% a 60% das úlceras acabam infectadas.

Em outras palavras: uma ferida que “não dói” não é necessariamente uma ferida que “não importa”. Para entender melhor a perda de sensibilidade, veja como saber se tenho neuropatia diabética e, para a circulação, diabetes e doença arterial periférica.

O que fazer em casa

  • Examinar os pés todos os dias, inclusive a sola e entre os dedos, com ajuda de um espelho ou de outra pessoa se for preciso. O CDC indica procurar vermelhidão, inchaço, feridas, bolhas, calos infectados, unha encravada e mudança de cor ou de temperatura.
  • Lavar com água morna, sem deixar de molho, e secar bem. Hidrate o topo e a sola dos pés, mas não entre os dedos, conforme o CDC.
  • Proteger o pé. Não ande descalço, nem apenas de meias ou de chinelos: a SBD faz essa recomendação para quem tem risco de úlcera. Use calçados e meias bem ajustados.
  • Cortar as unhas retas e elevar os pés, mexendo os dedos, quando estiver sentado.

O que evitar

  • Remover calos ou calosidades por conta própria, inclusive com produtos de farmácia: o CDC orienta não fazer isso.
  • Escolher pomadas ou antibióticos por conta própria. A diretriz da SBD sobre infecção no pé não recomenda antimicrobianos de uso tópico, mesmo na infecção leve. Antes de passar qualquer produto, pergunte à equipe.
  • Adiar a avaliação porque “não dói” ou porque a ferida é pequena.

Quais sinais pedem mais pressa

O que você notou O que fazer
Bolha, ferida, úlcera ou calo com vermelhidão, calor ou inchaço Procurar o médico de referência ou o podólogo logo, sem esperar a próxima consulta (CDC).
Ferida funda, que dura semanas, que não melhora ou em área de osso Pedir avaliação com urgência. A diretriz da SBD lembra que úlcera profunda, de semanas ou sobre uma proeminência óssea pode indicar infecção do osso.
Dedo inchado e vermelho Procurar avaliação. É um sinal que a diretriz da SBD descreve em suspeita de infecção óssea.
Ferida que piora rápido ou febre junto com a ferida Procurar um serviço de urgência. A diretriz da SBD inclui infecção de início agudo e rapidamente progressiva e sinais de infecção sistêmica, como febre, entre os quadros graves.
Diferença de temperatura entre os pés (se a sua equipe orientou medir) A SBD cita buscar atendimento especializado se a diferença passar de cerca de 2 °C por dois dias seguidos, em quem tem risco 2 ou 3.

Pé quente, inchado e vermelho, mesmo sem ferida aberta, também pede avaliação: veja pé de Charcot no diabetes.

Quem procurar

O CDC indica o médico de referência ou o podólogo. Quando há infecção ou comprometimento da circulação, a diretriz brasileira descreve o cuidado por uma equipe com várias áreas, que pode incluir endocrinologista, cirurgião vascular e enfermagem, e a cirurgia pode ser necessária em alguns casos. Se você já teve uma úlcera, a SBD informa que a recorrência após a cicatrização é de cerca de 40% em um ano e 65% em três anos, razão para manter o acompanhamento mesmo depois de a ferida fechar.

Para a rotina de prevenção

A rotina diária, o calçado e a frequência de avaliação estão em cuidados com os pés no diabetes. Este texto é educativo e não substitui a avaliação do seu pé por um profissional: ele não diagnostica a sua ferida nem indica tratamento.

Fontes e alcance desta orientação

O texto usa a página do CDC sobre os pés e o diabetes e dois capítulos da Diretriz da SBD. Nenhuma das fontes lidas define um prazo em horas ou dias para procurar atendimento, e a diretriz sobre infecção não traz uma lista de sinais de alarme escrita para o paciente: as orientações de urgência acima são uma leitura prudente dos critérios dessas fontes. A diretriz internacional do IWGDF e as páginas do NHS não puderam ser lidas nesta preparação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima