Cetoacidose diabética é uma complicação aguda grave do diabetes em que falta insulina, a glicose sobe, o organismo produz cetonas em excesso e o sangue fica ácido. É uma emergência médica. Segundo a diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD, edição 2026), o diagnóstico exige glicemia acima de 200 mg/dL, acidose no sangue (pH venoso abaixo de 7,3 ou bicarbonato abaixo de 15 mEq/L) e cetose (cetonemia de 3 mmol/L ou mais, ou cetonas na urina a partir de 2 cruzes), e ele é feito com exames no serviço de saúde, não por sintomas. Náuseas e vômitos, dor de barriga, sede e urina em excesso, respiração rápida e profunda e sonolência pedem atendimento de urgência. Este guia explica os sinais, como as cetonas entram nisso, o que a diretriz diz sobre os dias de doença e a forma que aparece com glicose normal. Ele não traz tratamento nem doses, e não substitui o plano da sua equipe de saúde.
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Neste artigo
Em termos gerais, sem insulina suficiente as células não conseguem usar a glicose como energia e o corpo passa a queimar gordura. Esse processo produz cetonas, que são ácidas. Quando elas se acumulam junto com a glicose alta, o sangue fica ácido e o quadro vira cetoacidose. A diretriz da SBD trata o tema no capítulo de diagnóstico e tratamento da cetoacidose diabética, com foco no atendimento hospitalar. Por isso, muita orientação para o dia a dia vem de outro capítulo, o de manejo dos dias de doença no diabetes tipo 1, citado mais adiante.
Ter cetonas não é o mesmo que ter cetoacidose. Pelos critérios da diretriz, a cetoacidose exige também acidose no sangue, e essa parte só o exame de sangue mostra. Por isso a orientação é tratar sinais de alerta e cetonas elevadas com seriedade, sem tentar decidir em casa se "já é" ou "ainda não é" cetoacidose.
A diretriz lista o quadro clínico da cetoacidose. Os sinais mais citados são:
Esses sinais também aparecem em outras doenças, como gastroenterite, infecção urinária e pneumonia, e a cetoacidose pode ser desencadeada por elas. Nenhum sintoma isolado confirma o quadro. Para entender os sinais de hiperglicemia em crianças, veja quais sinais de diabetes podem aparecer em crianças.
O diagnóstico é laboratorial e acontece no serviço de saúde. A tabela mostra os três critérios que a diretriz da SBD 2026 usa, e todos precisam estar presentes.
| Critério | O que a diretriz da SBD 2026 traz |
|---|---|
| Glicemia | Acima de 200 mg/dL. |
| Acidose metabólica | pH venoso abaixo de 7,3 ou bicarbonato no sangue abaixo de 15 mEq/L. |
| Cetose | Cetonemia (cetonas no sangue) de 3 mmol/L ou mais, ou cetonúria (cetonas na urina) de 2 cruzes ou mais na tira reagente. |
Três recomendações da diretriz ajudam a entender o papel das cetonas:
A gravidade é classificada pelo pH do sangue no hospital, e essa classificação não muda o que fazer em casa: diante de sinais de alerta, o caminho é o atendimento de urgência.
A diretriz reúne fatores que precipitam a cetoacidose. A lista ajuda a reconhecer situações de risco, mas não é uma previsão individual:
Os textos da diretriz sobre dias de doença e sobre prevenção têm como foco o diabetes tipo 1, e a diretriz também trata do diabetes tipo 2 em quem usa inibidores de SGLT2, como explicado mais adiante. Quem usa bomba de insulina deve saber que uma falha na entrega pode levar ao quadro, como explica o guia sobre bomba de insulina.
No capítulo sobre dias de doença no diabetes tipo 1, a diretriz recomenda monitorar cetonas na hiperglicemia persistente e preferir a cetonemia capilar à cetonúria (R2, Classe I, Nível B). Segundo o texto, a cetonemia deve ser medida quando a glicemia fica consistentemente acima de 250 mg/dL, quando surgem sintomas de cetoacidose e em algumas situações de glicose persistentemente acima de 300 mg/dL. A diretriz de monitorização da SBD também recomenda a cetonemia capilar em quem usa sistemas de infusão de insulina, em quem já teve cetoacidose e nos dias de doença (R7, Classe I, Nível B).
| Cetonemia (sangue) | O que as fontes da SBD dizem |
|---|---|
| Abaixo de 0,6 mmol/L | Valor normal, e também o objetivo a alcançar durante o tratamento dos dias de doença. |
| Acima de 1,5 mmol/L, apesar de hidratação e doses extras de insulina | Situação de alerta para atendimento de urgência, segundo o quadro de sinais de alarme da diretriz, cujo texto tem foco em crianças e adolescentes. |
| Acima de 3 mmol/L | Em texto para o público sobre dias de doença, a SBD orienta quem tem diabetes tipo 1 a ir ao hospital imediatamente. |
A diretriz avisa que a cetonúria pode continuar positiva por horas depois que a cetose no sangue já melhorou. Por isso a cetonemia é preferida para acompanhar a evolução. Esses números são referências das fontes. A conduta individual, inclusive que valor exige ação no seu caso e que doses de insulina usar, vem do plano combinado com a sua equipe, e este artigo não a substitui.
A diretriz recomenda atendimento hospitalar de urgência diante de vômitos persistentes, desidratação, alteração do nível de consciência, dor abdominal, febre, cetonemia ou glicemias elevadas, ou sintomas que exijam hidratação pela veia (R3, Classe I, Nível C). O quadro de alerta do texto sobre dias de doença detalha situações como:
Se houver suspeita, procure um pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192) sem esperar a situação melhorar. Um texto da SBD para o público orienta ainda contatar a equipe de saúde em caso de dúvida sobre o que fazer, de vômitos repetidos com risco de desidratação ou de glicemia elevada por mais de 24 horas. Se a dúvida é sobre glicose baixa e não alta, veja hipoglicemia no diabetes: sintomas, o que fazer na hora e como prevenir.
Infecções e outras doenças agudas são causas comuns de descompensação. O capítulo de dias de doença no diabetes tipo 1 traz recomendações para reduzir o risco de cetoacidose. Elas valem como princípios gerais, e a aplicação no seu caso depende do plano da equipe:
Para entender quando a glicemia alta merece atenção, veja glicose acima de 200 é perigosa?.
A cetoacidose pode ocorrer sem glicose muito alta. A diretriz da SBD define a cetoacidose diabética euglicêmica como a forma com glicemia abaixo de 200 mg/dL, pH abaixo de 7,3 e cetonemia elevada. O ponto central é que o número da glicemia pode tranquilizar de forma enganosa. Entre os fatores associados, o texto cita:
A diretriz recomenda medir cetonas imediatamente em pessoas com diabetes tipo 1 com sintomas, e em pessoas com diabetes tipo 2 sintomáticas, mesmo com glicemia abaixo de 200 mg/dL (R1, Classe I, Nível C), e dar atenção especial ao quadro em quem usa inibidor de SGLT2 com sintomas ou fatores precipitantes (R2, Classe I, Nível B). Para a equipe de saúde, a diretriz traz ainda a suspensão do inibidor de SGLT2 de 24 a 72 horas antes de cirurgia de grande porte, procedimentos invasivos ou exercício muito intenso (R3, Classe I, Nível C). Essa decisão é do profissional que acompanha você, e ninguém deve suspender o medicamento por conta própria com base em um texto. Para conhecer essa classe de remédios, veja dapagliflozina: para que serve e quais os riscos.
O tratamento é hospitalar. Segundo a diretriz, inclui reposição de líquidos pela veia, correção de eletrólitos e insulina, com acompanhamento de exames até o sangue voltar ao equilíbrio (R5 do capítulo da forma euglicêmica, Classe I, Nível C). Não descrevemos doses nem protocolos porque eles dependem de exames, da idade e da condição de cada pessoa, e quem decide é a equipe que atende. Nenhum tratamento em casa substitui esse atendimento quando há sinais de alarme.
Estas perguntas são uma sugestão prática nossa, e não vêm das diretrizes:
É uma complicação aguda grave, causada pela falta de insulina, em que a glicose sobe, as cetonas se acumulam e o sangue fica ácido. É uma emergência médica.
Náuseas e vômitos, dor abdominal, muita sede, urina em excesso, desidratação, fraqueza, pulso rápido, respiração rápida e profunda e, nos casos graves, sonolência e coma. Nenhum sintoma isolado confirma o diagnóstico, que exige exames.
Os textos da SBD sobre prevenção têm foco no tipo 1. A diretriz também trata de pessoas com diabetes tipo 2 sintomáticas, principalmente as que usam inibidores de SGLT2, em quem a cetoacidose pode aparecer mesmo com glicose abaixo de 200 mg/dL.
Como referência das fontes, abaixo de 0,6 mmol/L é normal, acima de 1,5 mmol/L apesar de hidratação e doses extras é sinal de alerta e acima de 3 mmol/L leva à orientação de ir ao hospital, no caso do diabetes tipo 1. Seu plano individual vem da sua equipe.
Não. Pelos critérios da diretriz, a cetoacidose exige também acidose no sangue, confirmada por exame. Mas cetonas elevadas pedem atenção, e a diretriz lista restrição de carboidratos e jejum prolongado entre os fatores associados à forma com glicose normal.
Não. O tratamento é hospitalar. Nos dias de doença, a diretriz orienta monitorar, hidratar, manter a insulina e procurar atendimento diante dos sinais de alerta, conforme o plano da equipe.
Não por conta própria. A diretriz recomenda não suspender a insulina basal nos dias de doença, mesmo em jejum, e um texto da SBD diz que o tratamento com insulina nunca deve ser interrompido. As doses são definidas com a sua equipe.
Este artigo é educativo e não substitui a avaliação da sua equipe de saúde, principalmente para quem tem diabetes tipo 1 e usa insulina. As afirmações vêm das fontes abaixo. Os textos foram lidos em 30/09/2026 por resumo automático das páginas, e os números de recomendação, classe e nível foram conferidos nesses resumos. As medidas práticas estão marcadas como tais no texto. Nenhum produto foi testado.
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